segunda-feira, 18 de setembro de 2017

Sim, José.

Habituei-me a vê-lo com uma máquina fotográfica a calcorrear as ruas que ligam a Baixa à Alta da cidade de Coimbra; a ouvi-lo cantar fado nas longas noites da Diligência Bar, nomeadamente, o tema Pomba Branca, do madeirense Max. Olhos no chão, passos cadenciados, seguia lesto e imperturbável, excepto se alguém o interpelava. Aí o seu sorriso soltava-se como uma pomba branca, a bater asas, em busca da liberdade. Soturno e calmo, como uma tarde de Outono, atravessava a Sé Velha rumo à Universidade, percorria as Faculdades, uma a uma, deixava as fotografias da rapaziada que celebravam a Festa das Latas ou a Queima das Fitas. Misturava-se com a “estudantada”, contava histórias de outros tempos, aconselhava os mais novos. A sua simpatia ganhava rapidamente uma mão cheia de amigos. O Zé foi sempre assim, generoso, um homem fraterno e amigo, sem maldade e disponível. Quando cheguei a Coimbra, nos anos oitenta, era um cravo de sedução, andava sempre de gravata e fato escuro, embora já tivesse nevado no seu cabelo. Consta que, nesse tempo, ainda tinha uma casa comercial junto à Sé Velha, mas eu já não conheci esse espaço. A sua presença nos jantares de curso tornou-se familiar, pois foi aí que o Zé começou a fazer parte das minhas amizades. Cruzávamos as mesmas ruas, os mesmos cafés, as mesmas tertúlias, os mesmos becos e esplanadas. 

O Zé era uma sombra na vida dos estudantes, não havia quem não o conhecesse e todos tinham o seu cartão profissional, pois mais tarde ou mais cedo, o Zé seria chamado a fazer “clic” num convívio. Mas os tempos mudaram com a chegada da fotografia digital. E o Zé lamentava-se que o seu negócio tinha chegado ao fim. A verdade é que soube actualizar-se e encontrou ânimo para continuar a sua actividade. Os seus itinerários mudaram um pouco quando a Universidade cresceu para os pólos II e III e, por isso, a frequência com que nos cruzávamos diminuiu. Mesmo ao longe, o Zé erguia o polegar da mão direita, como se gritasse do fim da rua, para saber se eu estava bem, era a mímica da curiosidade e da amizade. 

O tempo encarregou-se de tornar os nossos encontros menos frequentes, mas a memória é, também, uma biblioteca de afectos que sabe sempre preservar o que é eterno e inesquecível. Recordo uma viagem (18 de Abril de 1989) que fiz com a escritora Natália Correia e Fernando Dacosta numa barca serrana à Lapa. Para essa viagem convidei o Zé. Ao seu jeito, sentou-se num canto, e à medida que a barca se afastava da margem, o Zé ensaiava a melhor posição para não perder o melhor ângulo  da poetisa. Natália Correia tentava ignorar a presença do fotógrafo, mas Fernando Dacosta lembrava-lhe que devia sorrir. O Zé compenetrado no seu ofício sabia que aquela era uma viagem diferente. Quando chegámos à Lapa, onde estava a Guarda Fiscal, fomos recebido pelo comandante que tinha à nossa espera uma mesa farta com bons vinhos. O Zé teve pouco tempo para os petiscos.

A exigência dos dias faz-nos arrumar as prioridades onde as coisas acontecem quase sempre com muita pressa. Foi num desses dias, em que o Verão desocultava a luz, que oiço chamar pelo meu nome, enquanto lia os títulos dos jornais num quiosque. Olho e percebo que é o Zé. Mas rapidamente os meus olhos quiseram fechar-se. Olhámo-nos, mas desta vez o Zé, o meu fotógrafo de tantas circunstâncias e cantor de fado, estava numa cadeira de rodas. Em parte estava explicada a sua ausência, mas o Zé quis explicar-me tudo. Tinham-lhe amputado uma perna. Agora já não seria possível vê-lo a percorrer as ruas da Baixa de Coimbra como no passado, a misturar-se com as capas negras com a sua máquina a tiracolo ou a distribuir cartões profissionais. O Zé explicou-me tudo o que lhe aconteceu. O meu interesse pelos jornais acabou nesse momento, trouxe a imagem de um homem bom, sem uma perna, sentado numa cadeira de rodas, nostálgico e humilde a desculpar-se com a sorte: “É a vida…”. O Zé Baptista merece um abraço fraterno e muito mais.
António Vilhena

(Crónica publicada no Diário de Coimbra).




segunda-feira, 7 de agosto de 2017

A melhor beleza

O tempo guarda a paciência, escreve direito onde as linhas se curvam, sabe esperar pelos solstícios. Não se pode fazer sem ele, o que só com ele se faz. A pressa da vida nada tem a ver com a urgência dos dias; a sequência que mistura a luz e a sombra nem sempre são desejos da mesma montanha, o que parece universal é, às vezes, um breve crepitar de uma estrela perdida na linha do horizonte. É preciso acreditar na sua fosforescência, é nela que, provavelmente, se oculta a melhor beleza. A luz, que muitos desejam, é a alegoria de uma nova vida, de um renascimento. Ao darmos nomes ao que sentimos, a inquietação desassossega-nos, abrem-se as veias a um novo pulsar que clama do vulcão um rio de lava. Na corrente desse fogo arde o mistério da esperança, a flor de pétalas azuis como rosáceas góticas resgatadas ao imaginário dos deuses. O tempo escreve com paciência para que o Homem se reencontre na sua pressa de viver.
António Vilhena

sexta-feira, 14 de abril de 2017

"O amor é reaccionário"

Quando era adolescente as canções que ilustravam o meu mundo tinham pendor revolucionário, os meus amigos eram todos de esquerda, mas de uma esquerda onde o Partido Comunista era considerado de direita. Idos tempos de utopia e miopia onde era  fácil vender verdades a adolescentes que confundiam o mundo dos sonhos com os sonhos do mundo. Desse tempo, de que guardo boas memórias e grandes aprendizagens, recordo um episódio que foi determinante para romper ideologicamente com esse universo fechado e de clandestinidade, onde se defendia uma certa verdade, única, insofismável e inquestionável. 
Certo dia, questionei um camarada sobre a possibilidade de publicar alguns poemas que tinha escrito no viço da adolescência, ele era o chefe local e nada devia ser feito sem que ouvíssemos a sua opinião, era assim o centralismo democrático. Esse camarada para além de ser um profissional da política era, também, presidente de uma Comissão de Trabalhadores de uma das maiores empresas de Portugal. Era alguém que tinha influência local e que se movia com facilidade nos corredores do poder, em Lisboa  Pedi-lhe que lesse esses textos. Passado algum tempo chegou a sua douta opinião. O camarada começou por dizer que os meus poemas não eram revolucionários, que falavam de amor e de paisagens, que não devíamos falar de nós, mas do colectivo. Num instante percebi que estava no lado errado da utopia. Sem mais delongas ou discussões tratei de pedir para sair da organização onde militava. O pior veio depois: longas reuniões, lavagens ao cérebro, promessas de revoluções com calendário ajustado às necessidades, enfim, uma via sacra ideológica para me convencerem a ficar. Foram longos meses de reuniões e comunicações internas para me convencerem que eu estava errado e, principalmente, que devia ter em conta o colectivo. Inútil! Eu era um adolescente com asas, não admitia disciplina ignorante e dogmática. Finalmente, encontraram a melhor fórmula: expulsão do partido por defender a ideologia burguesa. Nem mais, para mim foi um alívio. 
Considero este acontecimento determinante na minha vida cívica. A minha percepção da liberdade é de tolerância. O tempo deu-me razão. Esse camarada que vetou os meus poemas de amor transformou-se num empresário, abandonou as convicções  esquerdistas, vendeu Lenine e Marx, e converteu-se ao luxo do capitalismo mais selvagem. Agradeço-lhe, sem o seu veto e a sua ignorância, provavelmente, a minha vida seria outra.
Quando recordo este episódio não reencontro na vida pública nenhum desses patetas que vendiam o futuro, mas que não deixavam os jovens viverem o seu presente. Os poemas de amor venceram a ignorância, porque só o amor é revolucionário.
António Vilhena

quinta-feira, 30 de março de 2017

Vais explicar-me papá?

Tudo parecia correr bem, na véspera tinha ido ao mercado, à cabeleireira, ao sapateiro, tinha feito as coisas banais, as rotinas eram rotinas, os dias eram os dias e as noites eram as escarpas onde ficava o silêncio e o cansaço. Tudo parecia correr bem, ou melhor, tudo parecia ser o que era porque os seus olhos eram os olhos de sempre, sem brilho e sem chama, os seus lábios eram a púrpura esquecida pela urgência do tempo, as suas mãos operárias ostentavam a sede de terras outrora férteis. Tudo parecia correr bem, não gritava, a sua voz era um Zodíaco programado, existia para alimentar a esperança. Andava sobre os pés mal tratados, não tinha amigos, nem próximos, limitava-se a existir na solidão que construiu, parecia não precisar dos outros, o seu mundo era-lhe bastante e sobrava o suficiente para a perturbar. Raramente levantava os olhos do chão, parecia que o horizonte era feito de sol em chamas, que não havia azul nem rosa, que não havia além nem distância. Tudo parecia correr bem, aos fins-de-semana ia à missa, procurava o seu Deus e o seu conforto para alimentar o vazio. Era disciplinada mas insegura, escutava mas não se impressionava, funcionava como uma mágoa cristalizada, uma mão entorpecida, um corpo quase frio. Os peixes perderam as cores e as flores eram nenúfares que flutuavam na invisível melancolia da sua existência. Quem a conhecia não estranhava o mutismo, sempre fora de poucas conversas, não alimentava fofoquices ao fim da rua, não trocava cebolas por hortelã com os vizinhos, não falava dos filhos com outras mães. A discrição confundia-se com um certo exílio, uma ostentação de ausência. Quando tinha que aparecer, escolhia os cantos ou o fundo das salas, onde ninguém a pudesse ver. A sua autoestima tinha dias, na sua maioria eram cinzentos. Pelos seus olhos o mundo era um lugar estranho e ameaçador, assim chegava o Inverno quando era tempo da Primavera; as manhãs eram madrugadas irrespiráveis que perturbavam a noite, a poesia era uma espécie de inutilidade, uma “extravagância de gente inútil”. O que importava era a técnica, o suspiro útil que a natureza reconhece capaz de fazer crescer as cenouras e as batatas. Apesar do elogio à terra, a sombra agreste dos tempos não é condescendente com o perfume das Artes. O viço da vida exige disponibilidade e contemplação, afectos e sonhos. Pela estrada dos anos, talvez, tenham ficado alguns lampejos de beleza, mas não os suficientes para fazerem doutrina. A beleza que perdura é a que alimentamos dentro de nós, quando a reconhecemos na metafísica dos sentidos e nos entregamos ao melhor da existência. Uma vida com pressa raramente concilia a força das águas com as margens do rio. Os pescadores, que desesperam por um peixe, são a metáfora inútil para quem o tempo é, apenas, para olhar as correntes das águas. Sob a força invisível das correntes desenham-se outros encontros que misturam as margens e os caudais velozes, o presente e o futuro, o desejado e o vivido.
Tudo parecia correr bem, não havia trânsito, cheirava a café, o cheiro a torradas inundava o bulício da tarde, as glicínias libertavam-se da clausura, havia o que sempre houve, um lugar no mundo onde as pequenas coisas eram apenas as memórias que resistiam à espessura das mãos. Depois vinham as legendas, as datas, o uso, o local, os dedos de bebé, as caixas de música, os objectos com que se cresce, os desenhos onde estão todos “os riscos com se faz uma flor”, o nome rodeado de corações, as recordações do Dia do Pai pintadas por ti, as fotografias que me ensinam quanto “crescer é a maior aventura do Homem”. Nessa tarde, ajeitaste-te no meu colo, agarraste o meu pescoço, ficámos silenciosos a mexer nos papéis, a revolver as fotos que tirámos juntos, principalmente, as que procuravas interpretar o mundo sem palavras. Passámos a tarde mais bela do mundo, os teus cabelos loiros ficavam presos aos meus lábios, punhas os meus óculos e deixavas-te adormecer. “O tempo é um grande escultor” e nas dobras, onde se esconde o inexplicável, é preciso dar tempo para que o escultor defina os contornos que hão-de alimentar a tua curiosidade. “Vais explicar-me papá?”

António Vilhena

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

AINDA ONTEM ERA TARDE.

Ainda ontem era tarde e o céu estava azul, os melros saltavam ao caminho, a luz entrava na vidraça e a varanda era um horizonte de sonhos. Espreitei onde supostamente devias estar a olhar o infinito que há em todos os pensamentos quando pomos horizonte nas coisas que queremos. Uma casa vazia é uma arquitectura sem alma, um poema sem emoção, uma vida sem sentido. Todas as coisas cabem onde as mãos têm asas para libertarem os gestos e as vidas dos objectos. Há tantos silêncios nas madeiras onde o sol promete renascer...

Ainda ontem era tarde e as palavras dormiam ao meu lado como se fossem os meus filhos, ao longe um avião riscava o azul, provavelmente, levava crianças que sabiam o diâmetro dos abraços e imaginavam que as nuvens eram bolas de algodão. Não há maior fantasia do que ser criança no mundo grotesco dos adultos.

Ainda ontem era tarde e as sombras subiam as paredes como lagartas famintas. No cume do telhado um gato preto lava-se dolentemente perante a indiferença dos melros. Devias estar ao meu lado, assim, partilhávamos o espanto e a beleza das coisas simples que não se compram. O melhor do amor é, talvez, ter apenas olhos para o amor.
António Vilhena


segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

NÃO SE COMOVA!

Não se comova, não se deixe emocionar, não deixe que as palavras derretam o gelo, não abra a janela, não olhe nos olhos de ninguém, não diga o que o coração lhe dita. Enfim, seja prudente, não vá abrir o braços sem querer ou deixar cair uma lágrima. Não se esqueça que os "fortes" são os que fingem até morrer, fingem, até, que estão vivos durante muitos anos, fingem que não precisam de nada: nem de amigos, nem de ternura, nem da paz.

Os verdadeiros fingidores são os que sofrem atrás da máscara, os que falam alto e grosso, os que se sentem ameaçados por todos, os que "arranjam" forças para dissimularem os dias cinzentos quando o Sol é abrasador.  Siga o meu conselho: não se comova. Viva como uma pedra de gelo, assim, todos saberão que é uma pessoa áspera, que não precisa de flores nem de sedução. Se viver de acordo com esta "filosofia" não fará amigos, mas terá evitado que gostem de si; não esbanjará energias que deve concentrar no essencial, no trabalho, na solidão.

Se ainda tem dúvidas sobre o meu conselho, pode procurar nas estatísticas, perguntar aos psicólogos o que é viver sem comoção, o que é viver sem verbalizar as emoções, o que é viver como um gato no telhado de zinco frio à espera da lua. O choro dos gatos é racional e comovente porque clamam aos deuses o seu amor.

Se não se comover, o tempo encarrega-se de adensar camadas sobre o glaciar que a máscara inventou.

António Vilhena

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

CRÓNICA:Os bajuladores


Daqui a cem anos não haverá a mais pequena memória deles, ninguém saberá desenhar os seus rostos, nem dizer se tinham cabelo preto ou loiro, se eram altos ou baixos, se tinha cão ou gato. Daqui a cem anos, ou menos, não restará a mais pequena lembrança da cor dos seus olhos, da sua roupa, das verrugas ou dos seus tiques sociais. O tempo apagará os que forem cúmplices por omissão, os que não tiverem coluna, os que se prestarem a vergar a cabeça, os que cuidarem apenas da sua vidinha pondo pedras no caminho dos outros. Daqui a cem anos, ou menos, a lápide estará ilegível com os seus nomes. Há gente que se presta a todo o tipo de serviços, que se vende por um sorriso de circunstância, por um favor para filha, para o primo, para a sobrinha, para a amiga, para a amante, para mulher, para o animal de estimação. Há gente que se dedica à intriga para cair na graça da(o) chefe a troco de uma boa conversa à hora da bica.
Todos conhecemos a Maria, o José, a Fernanda e o Miguel que são zelosos cuidadores das vidas dos outros – cuidam do que existe e da sua imaginação prolixa -, fazem guiões e desenham figurinos. Quem se dedica a cultivar a amizade das estrelas não tem tempo para a pequena vaidade, nem para o espaço da representação. Há um mundo de pequenas urgências que não pode esperar, gente que carece de cuidados, que merece respeito e admiração. É muito fácil destruir a vida do Orlando, da Clara, do Rodrigo ou da Inês. Basta ouvir a Maria, o José, a Fernanda ou o Miguel falarem da “moral dos bons costumes” – hipocrisia, claro. Quando eles falam dos outros conseguimos ver os seus armários.
Os bajuladores não têm fronteiras, estão em todo o lado, adaptam-se facilmente, vestem a pele de camaleão, ficam dóceis, simpáticos, sorridentes, encostam-se às paredes, estão sempre quase a sair, ainda mal entraram, e lá vão destilando o veneno e o charme. Ficam em pé, quase nunca se sentam, antecipam a chegada do bajulado(a) e apressam-se a cumprimentar, distribuem salamaleques, enfim, são seres perigosos porque vêem nos outros uma ameaça irreal. Os bajuladores não têm escrúpulos, só conhecem a delação como instrumento de subserviência. São muito úteis como “pides”, estão de serviço em todo o lado: nos corredores, nos elevadores, nas casas-de-banho, onde eles sentirem o mundo de sombras que lhes alimenta a paranóia.  
Os bajuladores nunca são leais, mas tentam transmitir essa ideia, pelo muito que parecem fazer, pela excessiva presença, pela ausência de crítica, pela obscena concordância. Quando o poder muda, são os primeiros a enviarem mensagens de felicitações, a disponibilizarem-se, a oferecerem-se. Sabem de cor o dia de aniversário dos chefes e dos seus filhos, tentam agradar a qualquer preço, estão sempre presentes, “confundem” o dever com a obrigação. Esquecem-se, facilmente, a quem serviram, o que interessa ao bajulador é o presente e o futuro. O presente para perpetuarem a sedução das “Mil e Uma Noites”; e o futuro para arredarem da sua proximidade aqueles que não fazem parte da roda da hipocrisia. Barack Obama tinha consciência dessa perversão: “livre-se dos bajuladores. Mantenha perto as pessoas que o avisem quando errar”.
O bajulador sabe que todos queremos ser felizes e, por isso, tenta, a coberto da sua “bondade”, ajudar. Apenas a sua felicidade lhe interessa, mesmo que para isso tenha que implodir as vidas dos outros. Daqui a cem anos, ou menos, ninguém falará desta gentinha.
António Vilhena

(Foto de autor desconhecido)